Roubos a residências na Região Oceânica de Niterói aumentam 90% em 2016

Roubos a residências na Região Oceânica de Niterói aumentam 90% em 2016

Delegacia de Itaipu registra 19 dos 42 casos na cidade entre janeiro a agosto

 

índice de roubo a residências aumentou em Niterói
índice de roubo a residências aumentou em Niterói

 

 

NITERÓI – Na manhã da última segunda-feira, Elisa abriu o portão eletrônico de sua garagem, em Itaipu, e quando saía com o carro foi surpreendida por dois homens armados. Rendida, foi levada de volta para dentro de casa e permaneceu sob ameaça por cerca de uma hora, enquanto os criminosos recolhiam o que queriam e colocavam no carro da vítima, que também foi levado. Roubos a residência com essas característica dispararam na Região Oceânica este ano. Foram registrados 19 casos na 81ª DP (Itaipu) entre janeiro e agosto deste ano, contra dez no mesmo período de 2015, um aumento de 90%. O crime desta semana engorda ainda mais a planilha de indicadores criminais do município, que enfrenta aumento em todas as outras modalidades de roubo este ano.

O modus operandi dos assaltantes se repete nos relatos de quem teve a casa invadida: o ataque ocorre no momento em que os moradores chegam ou saem de suas residências. Foi assim com um empresário que prefere se identificar apenas como Marcos. Em fevereiro, ele foi rendido ao chegar em sua casa, em Piratininga.

— Não vi de onde eles saíram, mas, assim que embiquei o carro no portão de casa, o ladrão já encostou na minha janela com o revólver. Meu irmão chegou depois, foi rendido e agredido. Saíram de lá comigo no carro, falando que me matariam — diz Marcos, que só foi liberado em São Gonçalo.

CONDIÇÕES FAVORÁVEIS

Especialista em segurança pública, o antropólogo e ex-capitão do Bope Paulo Storani avalia que as características da Região Oceânica criam condições favoráveis ao delito, ao mesmo tempo em que o efetivo enxuto de policiais militares dá a oportunidade para os criminosos. Assim, segundo Storani, os bandidos encontram motivação, oportunidade e condição para atacar.

— Eles veem que não tem polícia nas ruas, conseguem uma arma e partem para um local favorável, como a Região Oceânica, onde há casas em ruas pouco movimentadas — analisa Storani, que orienta sobre como se prevenir. — As pessoas normalmente não tomam cuidado com sua autoproteção. Quando se faz segurança de autoridade, os momentos críticos são sempre a saída e a chegada. É a mesma coisa para o cidadão. As pessoas não têm o hábito de olhar a rua antes de sair ou chegar, observar, ver carros parados, gente suspeita, pessoas em moto. Fazendo isso, é possível diminuir as condições para o criminoso atacar.

O número de roubos a residências vinha em queda significante na cidade desde 2013, quando houve 68 casos no período de janeiro a agosto. Em 2014, o total foi de 44 (35% a menos) e, em 2015, caiu para 29 (34% a menos). Já em 2016, o índice subiu para 42 no mesmo período, um aumento de 44,8% em relação a 2015.

O comandante do 12º BPM, coronel Fernando Salema, ressalta que, em geral, os índices crescentes no município acompanham o aumento da violência no Rio. No estado, contudo, os números totais de roubos a residências caíram 12,2% no período, passando de 856 para 751. Em relação aos roubos na Região Oceânica, Salema avalia que há uma mudança no comportamento dos criminosos.

— O marginal quer agir onde ele entende que pode ter mais benefício. Lá, ele não rouba um cara na rua para pegar o celular, ele rouba o que quiser da casa. A gente vê também que tem muito crime encomendado, como o assalto à casa de um colecionador de armas, esta semana em Itaipu, e outro caso, há pouco tempo, envolvendo um colecionador de pássaros — comenta Salema, assegurando que todo o seu efetivo está nas ruas.

Uma análise mais ampla dos índices de crimes contra o patrimônio na cidade, disponibilizada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), revela uma tendência preocupante. À exceção dos roubos de celulares, que caíram 11,8%, todas as outras modalidades de roubo subiram no período de janeiro a agosto deste ano. A maior alta foi no número de roubos em coletivos, que deu um salto de 63,2%, de 166 casos no ano passado para 271 este ano. O GLOBO-Niterói revelou, no último sábado, que traficantes ordenam a rodoviários que cubram as câmeras internas de ônibus em pelo menos três linhas que têm ponto final em comunidades localizadas em São Francisco, Caramujo e Sapê. Os roubos a transeuntes também subiram de 2.077 para 2.401, um aumento de 15,5% e equivalente a dez pessoas roubadas por dia. O número de veículos roubados passou de 856 para 942, representando uma alta de 10%.

Na avaliação de Storani, a tendência é os índices se agravarem nos próximos três anos por conta do quadro de crise na segurança pública do estado.

— O efetivo da PM não é capaz de atender à demanda que cresce de maneira vertiginosa. O projeto das UPPs absorveu boa parte do efetivo, numa política que teve um impacto inicial positivo, mas que, atualmente, passa por um enfraquecimento. Além disso, existe a falta de motivação, em vista dos atrasos no pagamento dos salários — diz Storani.

Fonte: O Globo

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